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Da série, Marcas portuguesas, 1

Abril 26, 2020 Marcas portuguesas

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Nascemos alocados a um território físico, emocional e imagético que nos acompanha o percurso moldando e configurando também a nossa identidade individual e colectiva.

Falar de marcas portuguesas será antes de tudo pensar o ser-se português e a inacabada génese de uma portugalidade. Não daquela portugalidade enquanto conceito unificador, criado nos anos 50, para estruturar a mentalidade de pertença a um território que se pretendia inquestionável e fechado. Antes de uma portugalidade contemporânea, deste sentimento inigualável onde cabem as heranças históricas, as actuais e as futuras de um colectivo.

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O que é isto de ser-se português?

É falar uma língua, escutando todas as outras.

É uma retórica comovente.

É um país físico e um imaterial.

É um território, e o ser-se indissociável dele.

É um ideário, talhado por um estar saudoso.

É um sentimento e uma maneira muito particular de o sentir.

É um ser-se visceral nesta forma de ser.

É um estar-se à nossa maneira no meio de outros.

É um movimentar-se de certa forma, demorando-se nos gestos.

É uma simplicidade em cada coisa.

É um legado, que trazemos agarrado à pele.

É uma herança histórica que levemente transportamos.

É uma herança futura que mediamos com esperança.

É uma aculturação de um tempo e de um espaço.

É um projecto de experiências do ser.

É uma escolha, esta, junto ao peito.

É um fado mas também não o é.

É uma sina que é uma escolha.

É um sobreviver desenrascado.

É cada um de nós, à sua forma.

É um sol que aquece mais do que sombreia.

É um conjunto de valores tradicionais.

É uma essência do ser-se agora.

É um mundo que se quer aqui.

É uma idiossincrasia em bicos de pés.

E é também, o melhor de nós.

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O que é uma marca portuguesa?

É igual a ser-se português mais a autenticidade de poder ser maior que o território que a habita.