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Da série, poemas mas, 13

Maio 30, 2019 poemas mas

O aparador de cabelos e ramos

A barbearia do avô cabia no verde da sua cadeira giratória

no canto mais nobre da casa da farinha.

Ali, à beira da porta empenada onde mais luz e pó entrava,

no cimo da pequena rampa sulcada por onde tanto corri.

Reflectindo as manchas que o tempo soube criar

acompanhadas dos túneis que o bicho soube roer.

Impregnando-me de cores que não mais soltei,

e de mistérios que não mais achei.

A ele, nunca o vi pegar em madeixas ou caules,

permanecendo em mim o mito do aparador de ramos e cabelos.

Soube um dia,

que aparava para cuidar, por vezes cabelos, por vezes ramos.

Consoante a necessidade.