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Da série, contos curtíssimos, 3

Novembro 22, 2018 contos curtíssimos

O limpa-letras

Seguia os movimentos dos seus membros com ávida rapidez de resposta, queria, desejava e precisava saber o porquê de todos quererem berrar alguma coisa, assim, tão indiscriminadamente. 

Naquela manhã gelada de Janeiro, quando os bocejos ainda roçavam nos lençóis quentes e ao longe se fundiam os cereais com o fogo, emanando o cheiro abafado que traria consigo o despertar, já ele se antecipava naquela entrada para o natural ousando lavar da vista e da parede as letras que alguém gritara para ali na noite anterior.

Terminando, voltaria a guardar no balde as ferramentas com que silenciava as palavras alheias e questionando-se iria de novo para casa.

Emudecendo-se um pouco mais.