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Da série, Dias pardos, 2

Novembro 6, 2018 dias pardos

Embeveci-me de azul.

Acordei-me na soleira da porta, sob o hidráulico árabe. Queria ter despertado ágil e sagaz, mas aquele ar morno filtrou-me não só a visão como a reacção, todos os meus movimentos seguiam distantes demais do pensamento e paralelos ao olhar, ligeiramente inclinados, escorrendo talvez.

Como era maravilhosamente bem gasto aquele espaço, sob cada canto teriam passado torrentes de uso e ainda assim não se mostrara esgotado. Sob cada irregular pedra do chão o peso de corpos nutridos pelos anos passando e permanecendo ao mesmo tempo. Eternizando-se na memória física da parede.

Esta cor tem uma lembrança, as rugas em que me embeveci.